quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Somos todos candidatos sujeitos aos casos fortuitos e às forças maiores

Em meio à perplexidade da morte do candidato à presidência da República Eduardo Campos, escrevi uma poesia delicada sobre a questão abstrata de "quem somos nós?"

Poesia: Somos todos candidatos


Quem somos nós?
Somos candidatos,
aprendizes.
Candidatos a sermos
mais felizes.
Candidatos a vivermos
com deslizes...

somos sujeitos
aos casos fortuitos,
às forças maiores,
não somos melhores
nem piores,
somos sujeitos
ativos e passivos
da ordem e da desordem,
do progresso
e do retrocesso.

Nós somos
seres vulneráveis
de certezas e enganos.
Nós não somos
totalmente sábios,
nem tão insanos,
somos candidatos
a sermos mais
humanos.

Somos candidatos,
pois não somos titulares
de nada nesse mundo.
Somos candidatos,
pois apesar dos pesares
vamos para o mesmo fundo.

Candidatei-me a ser estudante,
candidatei-me a ter uma profissão,
candidatei-me a seguir adiante,
mas a vida é uma grande imprevisão.

Candidatei-me a ter bens materiais,
candidatei-me a ser casado,
candidatei-me a viver mais,
mas o que será eternizado?

Se nada é pra sempre,
estaremos sempre
em processo
de candidatura,
de aprendizado,
de trabalho,
de esforço,
de luta!
De luto
seguimos por um momento,
na vida temos incidentes
e acidentes,
querendo ou não querendo
nossa formação partidária
"parte" da gente.

Não somos perfeitos,
não seremos eleitos
a ficar
como autor e réu.
Somos poesias e atos,
somos todos candidatos
a conquistar
vagas no céu. 

Reações:

4 comentários:

  1. Adoro suas poesias jurídicas... parabéns!!!
    Sempre visito seu blog para ver as novidades.
    =D

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    1. Agradeço e fico muito feliz Muriele, seja bem vinda sempre! ;-)

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  2. Um absurdo eu ter demorado tanto pra passar por aqui. Me apaixonei pelo seu projeto, pelas suas músicas e agora estou me apaixonando por suas poesias. ^^
    Beijo

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